GATILHO RELÂMPAGO (Legendado) – 1956

“The Fastest Gun Alive” (EUA) – 1956
Drama – Faroeste
DIREÇÃO: Russell Rouse
IMDb: 7,1 http://www.imdb.com/title/tt0049201/

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Legendado

Postado por Mauro

DADOS DO ARQUIVO:

Qualidade de Vídeo:DVD Rip
Vídeo Codec: XviD
Vídeo Bitrate: 1.201 Kbps
Áudio Codec: AC3
Áudio Bitrate: 192 kbps CBR 48 KHz
Resolução: 710 x 400
Aspect Ratio: 1.773
Formato de Tela: Widescreen (16×9)
Frame Rate: 23.976 FPS
Tamanho: 1.4gb
Legenda: embutida

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SINOPSE:

Glenn Ford interpreta George Temple, aposentado que busca um pouco de paz ao lado de sua esposa, Dora. Até que um dia ele bebe além da conta e acaba exibindo suas surpreendentes habilidades no gatilho, embora todos na cidade jurem não abrir a boca, a fim de ajudá-lo a largar das armas para sempre, um garoto conta a história para uma gangue de criminosos liderada por Vinnie (Broderick Crawford), a partir dai se inícia o cenário para o seu importande confronto da vida ou quem sabe da morte.

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ELENCO:

Glenn Ford – George Temple / George Kelby, Jr.
Jeanne Crain – Dora Temple
Broderick Crawford – Vinnie Harold
Russ Tamblyn – Eric Doolittle
Allyn Joslyn – Harvey Maxwell
Leif Erickson – Lou Glover
John Dehner – Taylor Swope
Noah Beery Jr. – Dink Wells
J.M. Kerrigan – Kevin McGovern

CRÍTICA:

Gatilho Relampago (Fastest Gun Alive)

Fonte: Acervo Estadao. São Paulo, 2 de Outubro de 1957

http://acervo.estadao.com.br/

O Metro nos deu na semana que finda hoje, uma agradável surpresa, com o seu “Gatilho Relâmpago”, um “western” de julho do ano passado, de inegáveis qualidades.Em primeiro lugar, a história de Frank D. Gilroy “The Last Notch”. A personagem principal é um pistoleiro, dos mais ágeis do Oeste. É dos raros que fura duas moedas atiradas simultaneamente para o ar. Acontece, porém, que esse atirador espantoso não é um bandido e é um homem tímido, pacato e medroso. Filho de um “sheriffe” de Abilene, George Kelby, que se dedicou à luta contra os “out-laws”, o jovem George Temple, aprendeu, forçado pelo pai, a atirar, mas nunca matara ninguém e mantinha em segredo a sua habilidade. E’ comerciante em Cross Creek « tem guardado o revolver do pai com varias marcas no cabo, equivalentes aos bandidos por ele eliminados. A fita vai ser a historia da “ultima marca”, que George Temple é obrigado a fazer, contra a sua vontade, no cabo do revolver paterno, para salvar a sua honra e a paz da vilazinha de Cross Creek. O episódio tem como base a frase dita por um personagem: — ”A historia de um bom gatilho tem asas” George trai o seu segredo e a sua fama leva um pistoleiro terrível a enfrentá-lo. Ele o mata, mas passa por morto, também, para evitar que outros pistoleiros o venham tirar da sua paz.

Além desse bom estofo da historia, a fita nos surpreende pela produção e direção. Foi feita por uma dupla que há 12 anos vem atuando em conjunto, e que não tinha atingido o resultado aqui obtido. Trata-se do produtor Clearence Greene e do diretor Russell Rouse. O primeiro vem do teatro e da TV e o segundo da publicidade e dos trabalhos de assistência à produção na Metro. Russell estreou na Metro em 1944, fazendo um roteiro para uma fita no Gordo e o Magro (Nothing But Trouble). Nesse mesmo ano uniu-se a Green e colaboraram juntos, na PRC, num roteiro e argumento para uma fita de Freddie Bartholomew (The Town Wild). Em 1950 è que os nomes dos dois técnicos pôde ser anotado pela critica, pelo trabalho no roteiro e argumento de uma fita de Edmond O’Brien “Com as horas contadas” (D.O.A.). A fita era virtuesistica, pretensiosa, mas revelava uma intenção de fazer coisa original. Em 1951 e 1952 os dois formam uma unidade produtora independente dentro da United Artísts e realizam duas fitas: “O Poço da Angustia” (The Well) e “O Ladrão Silencioso” (The Thief). Green produz, Russell dirige e ambos atuam no roteiro. As fitas tinham virtuosismo, pesquisa formal, mas indiscutivelmente inteligência e originalidade. Esta, porém, era tão rebuscada, que comprometia a autenticidade da experiência. Basta assinalar que o “Ladrão silencioso” era uma fita sem dialogo. De qualquer forma, a dupla dava mostras de querer fugir à rotina. Em 1954 inspiram-se em Hugo Haas e realizam “Mulher sem Brio” (Wicked Woomam), aliás usando como ”estrela” uma descoberta de Haas, Beverly Michaels. Em 1954 dão um passo à frente com “Código do Diabo” (New York Confidential), comprada pela Warner, com um bom tema — o da autodestruição dos “gangsters” e melhor equilíbrio de produção e direção.

É, porém, com este “Fastest Gun Alive”, que Green & Russell atingem um plano autentico de realização, livres já dos excessos formalistas e das ousadias temáticas de puro efeito. O poder de ambientação da direção de Russell é uma qualidade distintiva inegável. A cidadezinha de Cross Creek, como também a de Yellow Fork, onde se dá o assalto ao banco, são admiravelmente bem captadas, e em nenhum momento se esquecem os realizadores, ao tratar o pormenor, de o inserir no contexto do ambiente tipico, expíorando-o com grande mestria.

A fotografia de George Folsey e a musica de André Previn, ajudam bastante. No elenco temos um conjunto ótimo de atores e coadjuvantes, salientando-se Glenn Ford, num grande momento de intensidade expressiva, Jeanne Crain, sensível, Broderick Crawford, bom como o bandido Vlnnie Harold, Noah. Berry Jr. e John Dehner, Left Erickson, como Lou, excelente e ainda John Doucette, Rhys Williams, formando um quadro homogeneo de “cast”

“GATILHO RELÂMPAGO” (The Fastest Gun Alive) – O EGO DE UM PISTOLEIRO

Fonte: Western Cinemania

A longa carreira de Glenn Ford no cinema atingiu seu ápice de sucesso em meados da década de 50. Em 1956 ele apareceu pela primeira vez na disputada lista dos Top-Ten Money Makers, ficando em 5.º lugar. Falhou em 1957, mas retornou como campeão absoluto de bilheteria em 1958. Em 1959 o ator canadense caiu para a 6.ª colocação e depois disso deixou de ser grande atração de bilheteria, não mais fazendo parte da lista anual dos atores que mais espectadores levavam aos cinemas. Em 1956 foram lançados dois westerns com Glenn Ford: “Ao Despertar da Paixão” (Jubal) e “Gatilho Relâmpago” (The Fastest Gun Alive). Este último foi uma produção modesta na qual a Metro-Goldwyn-Mayer pouco investiu, mas para surpresa geral foi um dos campeões de bilheteria de 1956 naquele estúdio. Como explicar que um faroeste em preto e branco, com um diretor praticamente desconhecido e que tinha como únicas grandes atrações no elenco o cowboy Glenn Ford e o envelhecido Broderick Crawford poderia fazer tanto sucesso? A explicação é simples: o público gostou de “Gatilho Relâmpago” porque era um faroeste que seguia a tendência de apresentar como herói um personagem humano em luta com a sua consciência, na linha do seminal “Matar ou Morrer”. E também porque todos os demais atores eram muito bons na caracterização dos habitantes de um lugarejo que sequer tinha um xerife. Some-se a isso uma mocinha bastante bonita (Jeanne Crain) e um jovem ator-dançarino (Russ Tamblyn) que faz uma sequência de acrobática coreografia de fazer inveja a Burt Lancaster. Ah, sim, não pode ser esquecida a admirável construção do suspense que antecede ao duelo final.

O MEDO CONTRA A OBSESSÃO – O diretor Russell Rousse, também autor do roteiro, foi melhor roteirista que diretor, surpreendendo com “Gatilho Relâmpago”. Como roteirista ganhou até um Oscar pelo screenplay de uma das melhores e mais deliciosas comédias da história do cinema que foi “Confidências à Meia-Noite”, com Doris Day e Rock Hudson. E a surpresa referida acima é exatamente porque Rousse jamais repetiu, nos poucos filmes que dirigiu, o acerto que transformou “Gatilho Relâmpago” num pequeno mas memorável faroeste. A história nada tem de simplista, exigindo atenção do espectador para as nuances que determinam o comportamento traumatizado de George Kelby Jr. (Glenn Ford). Seu pai (George Kelby) era um xerife que depois de limpar uma cidade acaba morto. Antes havia ensinado tudo a seu filho, que mesmo sendo um extremamente ágil e certeiro gatilho quer fugir do medo que o assombra só de pensar em enfrentar um pistoleiro. E esse pistoleiro chamado Vinnie Harold (Broderick Crawford) surge exatamente na pequena Cross Creek, onde Kelby vivia com a esposa Dora Temple (Jeanne Crain). Para melhor fugir do passado, George Kelby Jr. abdica do nome do pai e passa a se chamar George Temple, forma de evitar que o renome do pai atraia aventureiros em busca da efêmera fama de se tornar mais um gatilho relâmpago. Porém o drama pessoal de George Kelby Jr. é revelado através de uma quase circense exibição de destreza e pontaria diante do estupefato povo local. Vinnie Harold mata um homem em duelo, assalta um banco com seus comparsas Taylor (John Dehner) e Dinky (Noah Beery Jr.) e chega a Cross Creek onde descobre por acaso que há alguém mais rápido que ele: George Temple ou George Kelby, já que agora tanto faz. Obcecado Harold obriga violentamente Kelby a vencer sua covardia para enfrentá-lo e satisfazer seu ego de gatilho relâmpago. Diferentemente de Kelby, tudo que Harold deseja é ser reconhecido como o mais rápido homem do Oeste.

COMO SE CRIA UMA LENDA – Apesar da abordagem psicológica, “Gatilho Relâmpago” é um western que se assiste com prazer pois seu andamento é notável com as ações se desenvolvendo de forma a surpreender o espectador a cada cena. Entre os momentos dramáticos então inseridas sequências de comicidade como quando uma testemunha de um duelo em outra cidade exibe orgulhosamente o botão da camisa de um dos contendores que ele viu morrer. E a tragicômica sequência em que George Kelby demonstra aos cidadãos que a fanfarronice impera na criação de lendas do Oeste. Quando tudo leva à certeza que o bem vai novamente vencer o mal, essa certeza é quase desfeita no surpreendente final. O elenco de “Gatilho Relâmpago” é uma daquelas festas para os experts em faroestes pois desfilam atores característicos que só os fãs westernmaníacos são capazes de reconhecer: Rhys Williams, Chubby Johnson, John Doucette, Allyn Joslyn, Paul Birch, Walter Coy, John Dierkes, Earle Hodgins, Kenneth MacDonald, Kermit Maynard, Dub Taylor, Glenn Strange e o incansável Bud Osborne. Todos esses atores de rostos bastante conhecidos, muitos deles dos B-westerns, ajudam no tom que Russel Rousse procurou dar ao filme. Outro trunfo de “Gatilho Relâmpago” é a interpretação do trio de bandidos. Em que pese a forma física de Broderick Crawford, incrivelmente envelhecido para os 45 anos que ele tinha em 1956, o ator consegue tornar seu personagem convincente pela intensa maldade que nele incute. John Dehner tem desempenho excelente, muito superior ao ‘Pat Garrett’ que ele criou em “Um de Nós Morrerá” The Left Handed Gun). E Noah Beery Jr. está bem como o submisso bandido. Glenn Ford, por sua vez, tem oportunidade de demonstrar o excelente ator que sempre foi sem nenhuma afetação ou maneirismo Tão bom quanto subestimado numa época em que a competição era com rivais do porte de Marlon Brando, Paul Newman, Gary Cooper, James Stewart, William Holden, Burt Lancaster, Kirk Douglas e um enorme etc., “Gatilho Relâmpago” é exemplar para que se descubra porque Glenn foi um dos campeões de bilheteria em meio a tantos monstros sagrados da tela.

GLENN FORD CONTRA RUSS TAMBLYN EM “GATILHO RELÂMPAGO”

Fonte: Western Cinemania

Em 1956 Glenn Ford era um dos principais astros de Hollywood e como todo grande astro Glenn tinha muitas regalias durante as filmagens e tinha também certos poderes. “Gatilho Relâmpago” (The Fastest Gun Alive) era uma produção modesta para os padrões da MGM, com um diretor (Russell Rouse) que havia dirigido apenas quatro filmes que ninguém lembrava quais eram. No elenco, com exceção de Glenn Ford e Broderick Crawford, não havia nenhum outro nome de peso. Mesmo Jeanne Crain, apesar de todas as oportunidades que havia tido na 20th Century-Fox, nunca se consagrara como grande estrela. “Gatilho Relâmpago” deveria ser mais um veículo para o estrelato de Glenn Ford com o risco de Broderick roubar o filme, como costumava fazer. Mas Glenn Ford estava preparado para enfrentar Crawford porque, afinal de contas, Glenn era um excelente ator. A MGM tinha sob contrato uma jovem promessa chamada Russ Tamblyn e queria projetar Russ, que agradara em cheio em “Sete Noivas para Sete Irmãos”, escalando-o para o faroeste com Glenn Ford.

O VETO DE GLENN FORD – Russ Tamblyn não era exatamente um dançarino e sim um verdadeiro acrobata. O roteiro de “Gatilho Relâmpago” previa apenas uma sequência de dança durante uma festa, com participação de Russ que não ficou nada satisfeito pois queria mesmo era ter mais falas, interpretar e, por que não, até reeditar os empolgantes números de dança acrobática que havia feito em “Sete Noivas para Sete Irmãos”. Para “Gatilho Relâmpago” Russ ensaiou com o coreógrafo Alex Romero e ficou claro que aquele seria um número espetacular. O roteiro indicava que Glenn Ford deveria estar presente no set de filmagem adaptado para ser um enorme celeiro onde ocorreria a festa. Porém Glenn filmou suas tomadas nas quais aparece sentado num canto, acabrunhado e depois foi dispensado. Após exaustivos ensaios a sequência de dança foi filmada em poucos takes e logo se espalhou o comentário que o número havia ficado espetacular. Glenn Ford se sentiu incomodado, pensando que agora teria que enfrentar o talento de Broderick e também a arte do rapazola dançarino. Glenn não teve dúvidas e procurou um executivo do estúdio explicando que não queria aquele número em “Gatilho Relâmpago”. Como a retirada da sequência de dança não interferiria no desenrolar da trama, a MGM concordou e o modesto “Gatilho Relâmpago” foi editado sem a sequência com Tamblyn dançando.

NOME MANTIDO NOS CRÉDITOS – E “Gatilho Relâmpago” foi lançado sem a sequência de dança no celeiro. Porém os créditos do filme já estavam prontos e neles constava o número coreografado por Alex Romero (foto ao lado) e o público que assistia ao faroeste se perguntava, mas onde foi parar o tal número de dança? Executivos da MGM se reuniram e decidiram que seria melhor reeditar “Gatilho Relâmpago” incluindo a sequência abortada e manter o crédito como estava. Quanto a Glenn Ford, este agora estava preocupado com Marlon Brando, com quem travava uma verdadeira guerra de vaidades em “A Casa de Chá Sob o Luar de Agosto”, também da MGM. Claro que teria sido muito mais fácil refazer os créditos, mas aí quem perderia seria o público e a carreira ascendente de Russ Tamblyn. E assim foi feito. O pequeno western é hoje quase um clássico e quem vê o filme não se esquece da vibrante sequência da dança com Tamblyn que Glenn Ford queria fora do faroeste.

IMITANDO GLENN FORD – Quatro anos depois, na mesma MGM, Glenn Ford e Russ Tamblyn se reencontraram em outro western, a super-produção “Cimarron”, dirigida pelo aclamado Anthony Mann. Russ procurou Glenn Ford e perguntou por que ele pedira a retirada da sequência de dança em “Gatilho Relâmpago”. Glenn tentou explicar mas não conseguiu ser convincente. Falou para Tamblyn que adorava dança e lembrou que muitas e muitas vezes acordava pela manhã com o som do sapateado de sua esposa Eleanor Powell vindo lá da cozinha, o que muito o alegrava. E ainda disse que Rita Hayworth também sempre dançava nos filmes que faziam. Glenn e Russ ficaram amigos e Glenn comentou que o papel de Russ Tamblyn em “Cimarron” era muito mais importante que no faroeste dirigido por Russel Rousse. Curiosamente em “Cimarron” Russ Tamblyn interpretando ‘Cherokee Kid’ tem uma cena de pontaria com revólver parecida com a de Glenn Ford em “Gatilho Relâmpago” (fotos abaixo). Russ ficou muito feliz quando Glenn lhe disse que ele estava fadado ao sucesso como ator e dançarino. Russ Tamblyn fazia muitas perguntas a Glenn Ford e uma delas foi como era possível ele, Glenn Ford, interpretar tão intensamente ao lado de uma atriz fria e insensível como Jeanne Crain, atriz que recitava suas falas quase mecanicamente. Glenn explicou a Russ que um ator pode envolver emocionalmente o outro em uma cena, o que, infelizmente Glenn não conseguiu fazer com Jeanne Crain. Glenn Ford acabou sendo uma espécie de modelo para Russ que chegou até mesmo a pentear o cabelo do modo que Glenn fazia, puxando todo o cabelo para frente e levantando as pontas na testa, o que decididamente não ficava nada bem. Já imaginaram um chefe de gang dos ‘Jets’, adolescente rebelde de Nova York, com aquele penteado?!?!?! Para interpretar Riff em “Amor, Sublime Amor” Russ Tamblyn voltou a usar seu cabelo cacheado com um pequeno topete a la Elvis Presley. Russ Tamblyn voltou a se encontrar com Glenn Ford em 1972, no episódio “Ragged Edge” na série “Glenn Ford é a Lei” (Cade’s County) feita para a TV, onde também atuava seu amigo Peter Ford, filho do verdadeiro cowboy e subestimado ator Glenn Ford.

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